Um ano e meio é praticamente metade do tempo que eu passei namorando o Alexande. É bastante tempo.
Hoje eu lembrei desse semi-aniversário de despedida com o coração leve. Eu nem sei como detalhar o que sinto. Às vezes parece que tudo foi um sonho. A amizade, o namoro, a morte, parece que está tudo fixado num passado tão distante que nem chega a ser real. Como quando você tenta puxar as memórias de infância e começa a misturar as suas lembranças com os relatos dos mais velhos, e de repente não sabe mais o que aconteceu e o que você só imagina como tenha sido.
Mas agora, distante um ano e meio do grande caos que aconteceu na minha vida, eu consigo ver com clareza tudo o que o Alexandre me ensinou em vida e através da sua morte.
Muito do que eu evoluí vem dessas experiências que se fundiram. Hoje eu consigo enxergar a minha vida de forma mais realista, e não é nem um pouco doloroso. Eu consigo entender como as pessoas pensam, e mesmo que eu discorde de absolutamente tudo, tento ser imparcial nas minhas colocações. É muito difícil, muitas vezes eu não faço da forma como gostaria, mas eu tento pra caramba. Acho que isso já vale muito.
Eu aprendi a não guardar rancor. Quando algo me machuca muito, quando alguém me decepciona, eu penso: será que ainda estarei triste por isso daqui a uns 6 meses? Como a resposta é sempre negativa, eu trato de afastar os sentimentos ruins na mesma hora.
A verdade é que, frente a morte, tudo fica terrivelmente pequeno e insignificante. Não há maior violência, maior dor, maior desespero do que a morte traz. Não há outra situação que seja irremediável. Tenho certeza que a morte me ensinou a viver, e o meu grande desafio de agora em diante é entender que nem todas as pessoas já descobriram o segredo das próprias vidas - e aprender a ser tolerante com coisas que me parecem totalmente absurdas.
Eu sei que vou aprender.
E eu também aprendi a ter paciência comigo mesma. Sei que compreender é diferente de incorporar, então respeito o meu tempo de absorver tudo o que compreendo. A grande verdade é que, de um ano e meio para cá, eu abri mão do orgulho para me tornar mais humana. E embora eu tenha perdido um pouco da armadura, me sinto mais fortalecida.
Por fim, a forma arrebatadora como o meu namoro terminou há 1 ano e meio atrás me ensinou a ser uma pessoa melhor. Mais amadurecida, mais consciente, menos medrosa. A morte me ensinou que enquanto há vida, deve-se viver. E viver sem medo algum, porque não se sabe o que acontecerá no instante seguinte. Se for bom, se fizer bem, se houver vontade, deve-se fazer. Não temos opção quando há sofrimento, então é bobagem abrir mão quando há felicidade.
E é por tudo o que vivi e aprendi que continuo acalentando um eterno amor de gratidão. Não há meio de ser um amor apaixonado, entre um homem e uma mulher. É um sentimento que se transformou em amor fraterno, materno, filial. É amizade, carinho, afeto, muita saudade, parceria. É um amor completo, que fechou o círculo e se fortaleceu por toda a eternidade. É um amor transformador, que tocou uma menina e a transformou numa mulher.
No fim das contas, eu sou grata. Em meio a tanta dor que existiu em 1 ano e meio, houve espaço para nascer tudo que há de mais bonito e verdadeiro. Se hoje eu tenho novos planos e sonhos, se eu tenho coragem para começar e recomeçar, se eu me dei o direito de continuar, devo à dor. E eu afirmo isso com o coração cheio de paz e alegria.
Lembranças
De quem ficou para quem partiu
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Conforme anunciado, hoje é dia 31 de agosto e eu encerro aqui as minhas postagens. Minhas postagens mais frequentes, pelo menos. Porque é muito provável que eu volte aqui eventualmente para repartir uma saudade boa ou um aperto no coração.
Ficou mais difícil escrever desde que decidi parar. Cada texto tinha um tom de despedida e uma vontade de nunca terminar. Porque as memórias não tem fim, e eu poderia ainda escrever tanto... mas como já disse, não vejo sentindo agora.
Hoje é um dia muito ruim para términos. É segunda-feira, é o último dia do mês, é a crise pelo trabalho chato e pela profissão duvidosa. É um monte de questões que se acumulam e que se colocam em frente a esse blog.
Pensei que talvez fosse injusto decretar o término oficial num dia em que a minha vida está tão cheia de outras situações urgentes. Mas aonde é mesmo que existe justiça?
Esse blog nasceu, em parte, da minha tentativa de compreender que não há justiça no mundo. Pessoas boas morrem, pessoas jovens morrem, pessoas boas sofrem, pessoas jovem aprendem. O curso natural deveria ser aquele aprendido nos primórdios escolares: nascer, crescer, reproduzir, envelhecer, morrer. E fazer as melhores coisas do mundo durante o trajeto. Mas não: eu nasci, cresci, morri, renasci, cresci de novo, e vai saber o que vem por aí.
Eu não vou falar hoje sobre o que dói, porque vocês sabem. Não vou falar sobre saudade, porque de certa forma, também todos sabem o que é. Não vou falar sobre a eternidade de um sentimento. Não vou falar sobre lembranças, porque há tantas já escritas.
Eu vou falar brevemente sobre o fim. Tudo termina. Tudo morre. Cada célula que nesse momento nasce no seu corpo já está programada para morrer. Esse blog nasceu desprogramado, mas ele vai terminar. Difícil afirmar nesse momento se será um término definitivo, mas assim como a morte é inevitável, nada é definitivo além dela. Assim como eu tenho a dor guardada em mim e tenho a opção de visitá-la quando tiver vontade, esse espaço ficará encerrado e eu poderei visitá-lo quando assim quiser.
Não sei se devo agradecer aos que vieram aqui. Não sei se alguém chegou aqui, de fato. Não sei o que pensam vocês de toda a trajetória meteórica que eu vivi em menos de dois anos. Não sei se quero saber. Eu não sei mesmo.
Mas sinto que é chegada a hora, então eu parto afirmando que sinto um grande orgulho de mim mesma. Porque eu fui muito além do que pude acreditar ser capaz.
No fim das contas, não é mais sobre o Alexandre. É agora sobre o que a vida e a morte dele operaram de forma irreparável no meu mundo.
Se devo agradecer a alguém, é apenas a ele. Por ter repartido comigo tantos momentos diversos durante tantos anos, por ter me ensinado a sobreviver quando a vontade era partir e por ter sido o responsável pela pessoa que me tornei.
Você me amou da forma exata que eu era, mas eu acho que você ficaria muito feliz se pudesse ver quem eu sou agora.
Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar
Eu estou na lanterna dos afogados
Eu estou te esperando
Vê se não vai demorar
Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar
No fim das contas, o mais importante nesse momento é que eu ainda saiba me virar. Não como sonhei um dia, mas como eu consegui. Apesar das marcas. Apesar de tudo.
Apesar de tudo.
Ficou mais difícil escrever desde que decidi parar. Cada texto tinha um tom de despedida e uma vontade de nunca terminar. Porque as memórias não tem fim, e eu poderia ainda escrever tanto... mas como já disse, não vejo sentindo agora.
Hoje é um dia muito ruim para términos. É segunda-feira, é o último dia do mês, é a crise pelo trabalho chato e pela profissão duvidosa. É um monte de questões que se acumulam e que se colocam em frente a esse blog.
Pensei que talvez fosse injusto decretar o término oficial num dia em que a minha vida está tão cheia de outras situações urgentes. Mas aonde é mesmo que existe justiça?
Esse blog nasceu, em parte, da minha tentativa de compreender que não há justiça no mundo. Pessoas boas morrem, pessoas jovens morrem, pessoas boas sofrem, pessoas jovem aprendem. O curso natural deveria ser aquele aprendido nos primórdios escolares: nascer, crescer, reproduzir, envelhecer, morrer. E fazer as melhores coisas do mundo durante o trajeto. Mas não: eu nasci, cresci, morri, renasci, cresci de novo, e vai saber o que vem por aí.
Eu não vou falar hoje sobre o que dói, porque vocês sabem. Não vou falar sobre saudade, porque de certa forma, também todos sabem o que é. Não vou falar sobre a eternidade de um sentimento. Não vou falar sobre lembranças, porque há tantas já escritas.
Eu vou falar brevemente sobre o fim. Tudo termina. Tudo morre. Cada célula que nesse momento nasce no seu corpo já está programada para morrer. Esse blog nasceu desprogramado, mas ele vai terminar. Difícil afirmar nesse momento se será um término definitivo, mas assim como a morte é inevitável, nada é definitivo além dela. Assim como eu tenho a dor guardada em mim e tenho a opção de visitá-la quando tiver vontade, esse espaço ficará encerrado e eu poderei visitá-lo quando assim quiser.
Não sei se devo agradecer aos que vieram aqui. Não sei se alguém chegou aqui, de fato. Não sei o que pensam vocês de toda a trajetória meteórica que eu vivi em menos de dois anos. Não sei se quero saber. Eu não sei mesmo.
Mas sinto que é chegada a hora, então eu parto afirmando que sinto um grande orgulho de mim mesma. Porque eu fui muito além do que pude acreditar ser capaz.
No fim das contas, não é mais sobre o Alexandre. É agora sobre o que a vida e a morte dele operaram de forma irreparável no meu mundo.
Se devo agradecer a alguém, é apenas a ele. Por ter repartido comigo tantos momentos diversos durante tantos anos, por ter me ensinado a sobreviver quando a vontade era partir e por ter sido o responsável pela pessoa que me tornei.
Você me amou da forma exata que eu era, mas eu acho que você ficaria muito feliz se pudesse ver quem eu sou agora.
Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar
Eu estou na lanterna dos afogados
Eu estou te esperando
Vê se não vai demorar
Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar
No fim das contas, o mais importante nesse momento é que eu ainda saiba me virar. Não como sonhei um dia, mas como eu consegui. Apesar das marcas. Apesar de tudo.
Apesar de tudo.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Hoje, pela primeira vez, eu consegui pensar no Alexandre como meu ex-namorado. E percebi que a morte só pode colocar no passado quem passou pela viuvez. Se você perdeu um irmão, ele nunca será seu ex-irmão. Não existe ex-mãe, ex-neto, ex-sobrinho, ex-amigo. A morte não muda quem essas pessoas foram, e se você teve dois filhos e um deles morreu, você continuará tendo tido dois filhos pelo resto da vida.
Quando uma viúva se casa novamente, no entanto, o marido antigo é necessariamente um ex. Você não diz "meu marido" ao se referir ao falecido se há outro homem ocupando essa categoria. Dois maridos não coexistem.
Não é estranho?
Talvez eu só tenha entendido essa situação por ter deixado o lugar de namorado ser ocupado novamente. E de alguma maneira extremamente delicada e inexplicável, eu convivo em harmonia com o namorado novo e com as lembranças do Alexandre. Parece que cada coisa tomou o seu lugar. E mais ainda, eu vejo que há lugar para todas as coisas. A minha história, a minha vida, o meu coração, a minha alma, tudo o que é meu é grande o suficiente para abrigar um amor sem tamanho por muitas pessoas diferentes.
Eu consegui hoje pensar no Alexandre como ex-namorado de uma forma natural e muito bonita. Porque o lugar do namorado Alexandre é no passado. No presente e no futuro está o meu amigo, o meu companheiro, o meu irmão, o meu amor, e para nada disso existe ex.
Quando uma viúva se casa novamente, no entanto, o marido antigo é necessariamente um ex. Você não diz "meu marido" ao se referir ao falecido se há outro homem ocupando essa categoria. Dois maridos não coexistem.
Não é estranho?
Talvez eu só tenha entendido essa situação por ter deixado o lugar de namorado ser ocupado novamente. E de alguma maneira extremamente delicada e inexplicável, eu convivo em harmonia com o namorado novo e com as lembranças do Alexandre. Parece que cada coisa tomou o seu lugar. E mais ainda, eu vejo que há lugar para todas as coisas. A minha história, a minha vida, o meu coração, a minha alma, tudo o que é meu é grande o suficiente para abrigar um amor sem tamanho por muitas pessoas diferentes.
Eu consegui hoje pensar no Alexandre como ex-namorado de uma forma natural e muito bonita. Porque o lugar do namorado Alexandre é no passado. No presente e no futuro está o meu amigo, o meu companheiro, o meu irmão, o meu amor, e para nada disso existe ex.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Além dos registros daqui, há os meus primeiros passos na tentativa de compreender o luto pela escrita no meu outro blog:
=)
Certeza
Ser forte
Sobre a fé
Um pequeno desejo
Meditações
Eu entendo
Felizes para sempre
Meu querido
Post de tentativa
Novo mundo
Wish you were here
Aos meus amigos
Forrest
Post intimista
As leis da vida
Definições
O fim é o começo
Muitas vidas
Amor
Abandono
Na verdade, quem tiver a paciência e a curiosidade de vasculhar todo o Fracionário vai acabar encontrando outras histórias de quando eu ainda namorava. Quem tiver paciência e curiosidade vai encontrar referências da minha história bonita, da minha dor vivida e dos vestígios que tudo isso deixou em qualquer lugar. No meu orkut, mas minhas tatuagens, nos cadernos que escrevi e escondi no guarda-roupas, nas minhas roupas e sapatos, nas fotos, nos enfeites de cabelo, nos meus CDs e DVDs, nas minhas cores prediletas, nos objetos que se espalham pelo meu quarto. Nas minhas falas, nos meus gestos, nos meus olhares, nas minhas opiniões, na minha maneira de enxergar o mundo.
Está tudo espalhado ao meu redor e nunca haverá um meio de compactar e armazenar num arquivo.
Ó pedaço de mim, ó metade afastada de mim
Leva o teu olhar, que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento, é pior do que se entrevar
Ó pedaço de mim, ó metade exilada de mim
Leva os teus sinais, que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco e evita atracar no cais
Ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim
Leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu
Ó pedaço de mim, ó metade amputada de mim
Leva o que há de ti, que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada no membro que já perdi
Ó pedaço de mim, ó metade adorada de mim
Lava os olhos meus, que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo a mortalha do amor, adeus
Metade adorada de mim, lavam os meus olhos inevitáveis elos feitos durante e depois. Lavam meus olhos presilhas tic tac para prender o cabelo, os Paralamas cantando Lanterna dos afogados, qualquer imitação do Van Halen em I can't stop loving you, o Forrest visitando o túmulo da Jenny, a última carta de Gerry, em que ele diz para Holly algo como "você foi minha vida, e eu fui apenas um capítulo da sua", o meu iPod rosa quebrado que eu insisto em guardar, o chaveiro de trevo. Lavam os meus olhos detalhes que se estendem pelo dia e que me pegam desprevenida; eu cruzo a esquina, me deparo com eles e meus olhos são lavados por alguns instantes.
A saudade é o pior castigo quando eu fico presa às lembranças que não são mais do que isso, e por doer demais eu guardo a minha saudade.
Eu não posso levar comigo a mortalha do amor porque é injusto envolver as memórias em mortalhas. Mas preciso me libertar e dizer adeus. À mortalha, não ao amor. Mas é um adeus.
=)
Certeza
Ser forte
Sobre a fé
Um pequeno desejo
Meditações
Eu entendo
Felizes para sempre
Meu querido
Post de tentativa
Novo mundo
Wish you were here
Aos meus amigos
Forrest
Post intimista
As leis da vida
Definições
O fim é o começo
Muitas vidas
Amor
Abandono
Na verdade, quem tiver a paciência e a curiosidade de vasculhar todo o Fracionário vai acabar encontrando outras histórias de quando eu ainda namorava. Quem tiver paciência e curiosidade vai encontrar referências da minha história bonita, da minha dor vivida e dos vestígios que tudo isso deixou em qualquer lugar. No meu orkut, mas minhas tatuagens, nos cadernos que escrevi e escondi no guarda-roupas, nas minhas roupas e sapatos, nas fotos, nos enfeites de cabelo, nos meus CDs e DVDs, nas minhas cores prediletas, nos objetos que se espalham pelo meu quarto. Nas minhas falas, nos meus gestos, nos meus olhares, nas minhas opiniões, na minha maneira de enxergar o mundo.
Está tudo espalhado ao meu redor e nunca haverá um meio de compactar e armazenar num arquivo.
Ó pedaço de mim, ó metade afastada de mim
Leva o teu olhar, que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento, é pior do que se entrevar
Ó pedaço de mim, ó metade exilada de mim
Leva os teus sinais, que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco e evita atracar no cais
Ó pedaço de mim, ó metade arrancada de mim
Leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu
Ó pedaço de mim, ó metade amputada de mim
Leva o que há de ti, que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada no membro que já perdi
Ó pedaço de mim, ó metade adorada de mim
Lava os olhos meus, que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo a mortalha do amor, adeus
Metade adorada de mim, lavam os meus olhos inevitáveis elos feitos durante e depois. Lavam meus olhos presilhas tic tac para prender o cabelo, os Paralamas cantando Lanterna dos afogados, qualquer imitação do Van Halen em I can't stop loving you, o Forrest visitando o túmulo da Jenny, a última carta de Gerry, em que ele diz para Holly algo como "você foi minha vida, e eu fui apenas um capítulo da sua", o meu iPod rosa quebrado que eu insisto em guardar, o chaveiro de trevo. Lavam os meus olhos detalhes que se estendem pelo dia e que me pegam desprevenida; eu cruzo a esquina, me deparo com eles e meus olhos são lavados por alguns instantes.
A saudade é o pior castigo quando eu fico presa às lembranças que não são mais do que isso, e por doer demais eu guardo a minha saudade.
Eu não posso levar comigo a mortalha do amor porque é injusto envolver as memórias em mortalhas. Mas preciso me libertar e dizer adeus. À mortalha, não ao amor. Mas é um adeus.
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